Tônio Carvalho, 2017

Origens

Nasci em 1944, na Rua Alexandre Ferreira, numa bela residência que lá está até hoje, entre o Jardim Botânico e a Lagoa, no Rio de Janeiro, casa de minha avó paterna – uma italiana de porte elegante e meu avô – um português que só me lembro dele dormindo em uma cadeira de balanço.

Ao contrário da família de meu pai, a de minha mãe morava em Pilares,  um subúrbio do Rio que, àquela época, tinha características bem rurais.

Ao se casarem, em 1943, foram morar na casa dos meus avós paternos.

Sendo assim, fui criado entre duas realidades bem distintas: uma mais bem posicionada socialmente e  a outra mais humilde. Entretanto, tinham, ambas, um vínculo estreito com  a Arte.

A família de meu pai e seus parentes, eram donos de uma fundição. A Fundição Indígena. Lá reproduziam estátuas, estatuetas e objetos de bronze, a partir de originais franceses. Tenho até hoje, guardadas comigo, várias dessas peças. São belíssimas.

Do lado de minha mãe, a família era de artistas plásticos, pintores. Meu avô  trabalhava com Carnaval e durante muito tempo foi carnavalesco dos “Tenentes do Diabo”, uma das chamadas Grandes Sociedades de onde originaram-se  os carros alegóricos das Escolas de Samba. Era  um grande pintor, alinhado com os Acadêmicos da Escola Nacional de Belas Artes. Chamava-se Raul Deveza. Minha irmã, Ana Deveza, que é bonequeira, seguiu a tradição e também trabalhou durante muito tempo no Carnaval da Estação Primeira de Mangueira. Meu tio, Chlau Deveza, também pintor, seguiu os passos de meu avô e minha mãe era excelente “Ceramista” e até o fim da sua vida trabalhava com “Colagens”. Lindas.

Meu pai faleceu muito cedo, em 1953. Algum tempo depois, minha mãe casou-se novamente. Entre 1955 e 1958 nasceram minhas duas irmãs: Lia e Ana que vieram juntar-se a mim e a minha irmã Thereza, filhos que somos do primeiro casamento de minha mãe.

Em 1958, o pai de minhas irmãs menores transferiu-se para São Paulo e, com ele, toda a família. Foram todos menos eu. Fiquei morando com minha avó materna, em Pilares. Eu estudava no Colégio Pedro II que fica na rua Larga, no centro do Rio. Entrava ao meio dia e meia. Tinha que sair de Pilares, já almoçado, para pegar o bonde  às 10 da manhã para chegar na hora da entrada no colégio.  Fiquei um tempo na casa de minha avó até poder ir ao encontro da minha família, em São Paulo.

Foi na casa de Pilares em que, desde pequeno, aprendi a gostar das Festas de Fé – especialmente as Juninas, embora nunca tenha tido uma formação religiosa (o que muito agradeço à minha mãe!).

As festas de fundo de quintal, as brincadeiras de rua, a cultura popular, eram apenas brincadeiras que juntavam crianças de toda a vizinhança. Não havia nenhuma preocupação erudita ou intelectual nessas festas. Batizar uma boneca, era uma festa! As crianças se vestiam de padre, de padrinho, madrinha, reproduziam o que se via do mundo adulto, uma teatralização, do ponto de vista infantil. Na festa de São João, se fazia Quadrilha, casamento caipira, etc. E assim fui sendo criado. A primeira dança que aprendi foi o Frevo pernambucano. Adorei. E minha paixão por Pernambuco cresceu daí. Adoro até hoje os Mamulengos e a Literatura de Cordel. Não à toa que anos depois , muitos anos, ganhei dois Concursos de Dramaturgia para Bonecos em dois anos seguidos, 82 e 83: “Florzinha que não se cheira e Firmino papa tudo na rua do sobe e desce à caminho do Juízo” e “Mariazinha do Bole-Bole”.

Reverência e deferência aos Mamulengueiros nordestinos!

Quando fui para São Paulo, com a família já instalada, fui estudar no Colégio de Aplicação da USP. E foi a partir daí que as portas se abriram para o mundo do teatro.

O primeiro espetáculo a gente nunca esquece

Enquanto criança ou adolescente nunca tinha visto um espetáculo de Teatro. Foi no Colégio, por conta de um Professor de Língua Portuguesa, apaixonado por Teatro, que fazia um trabalho de Leituras Dramatizadas nas três turmas do “Curso Clássico”  que eu comecei a me interessar por Teatro. 

Acho que foi com uns quinze anos que assisti  My Fair Lady, com Bibi Ferreira, Paulo Autran e Marília Pera fazendo parte do coro. Fiquei encantado, e sou um apaixonado por musicais até hoje.

O Professor de Português, prof. Jacob,  resolveu fazer uma leitura do texto  O Pagador de Promessas, nos três anos das turmas do Clássico e depois escolheu os alunos que iriam fazer uma leitura pública do texto para todo o Colégio. Eu estava no primeiro ano e minha surpresa foi quando após ter sido o escolhido para ler o Zé do Burro em classe fui igualmente escolhido para ler o Zé do Burro, publicamente , para todo o Colégio. Daí, conheci a Esther Góes, que estava no segundo ano do mesmo curso. Ela seria a Rosa. Acabou sendo uma bela apresentação e quem estava na platéia era o Milton Gonçalves, que fazia parte do Teatro de Arena.

A Ida para o Teatro de Arena

Milton Gonçalves gostou de nossa “trupe” e nos chamou para participar de um Núcleo no Teatro de Arena para montar espetáculos para crianças. A intenção era preparar atores para mais tarde se integrarem ao elenco de teatro adulto que nessa época era formado por Paulo José, Fauzi Arap, Dina Sfat, Isabel Ribeiro, Miriam Muniz, Guarnieri, Augusto Boal, Flávio Império (o grande cenógrafo ). Uma galera da pesada. E nós uma garotada deslumbrada com tudo aquilo. Assim, minha real formação em Teatro, acabou sendo o Arena,  acompanhando e vendo grandes espetáculos: A Mandrágora, de Maquiavel, O Melhor Juiz, o Rei de Lope de Veja, O Inspetor Geral, de Gogol, o Tartufo, de Molière, O Noviço, de Martins Pena, O Filho do Cão, de Guarnieri… Paralelamente ao Arena, vi também ótimos espetáculos  no TBC, e no Teatro Oficina, que marcou época e foi um divisor de águas com O Rei da Vela.

As primeiras participações em espetáculos no Teatro de Arena

O primeiro espetáculo do qual participei, dirigido pelo Milton Gonçalves acabou não sendo infantil. Foi Irmão das Almas, de Martins Pena. Em seguida, dirigidos por Silnei Siqueira fizemos o primeiro infantil:  A Bruxinha que era Boa, de Maria Clara Machado. Logo depois, um Auto de Natal: O Boi e o Burro à caminho de Belém, também de Maria Clara, dirigido por Myriam Muniz. Joãozinho Anda prá trás, de Lucia Benedetti e Aventura na Ilha Azul, de Ricardo Gouveia, completaram nosso ciclo infantil no Arena.

A experiência no Arena e as apresentações pelo TPN (Teatro Popular Nacional, uma jamanta produção de Ruth Escobar que nos levava para apresentações por praças de São Paulo e cidades do interior paulista),foi fantástica. Além da convivência com grandes atores e diretores, tive o prazer de contracenar com Esther Góes e Dora Castelar e admirar o nascimento do grande artista que foi Naum Alves de Souza. O grupo existiu e resistiu até pouco depois do Golpe Militar. Aí, claro que muitos debandaram e não continuaram na profissão.

Anos de Chumbo

Foi o caos. Sonhos se desfizeram, ruíram da noite para o dia. O medo, a impossibilidade de receber uma grana para sustento, a pressão das famílias, etc., era um estado complexo de emoções e sentimentos cuja perplexidade não combinava com jovens idealistas e sonhadores..

Acabei o Curso Clássico e fui fazer o vestibular para Artes Dramáticas, ousando ir contra as pressões reinantes – sociais e familiares. Além da situação política sufocante, havia – e todos sabem disso,  muita descriminação e preconceito nessa área. Mas acabei prestando os exames e passei em primeiro lugar em todas as matérias exigidas pela EAD: interpretação, mímica e redações (língua portuguesa).

Não consegui terminar a EAD pois engajei-me com a trupe de Abujamra que dirigia o Grupo Decisão, através da amizade com Emílio di Biasi. Com o Grupo Decisão aprendi os gregos através da Electra de Sófocles e da estupendas atrizes que foram Glauce Rocha e Margarida Rey. Além de Emílio e Sérgio Mamberti. Passei um tempo com eles no Rio de Janeiro. A situação piorava e deteriorava-se. Voltei para São Paulo.

E voltei para o amado Colégio de Aplicação como professor de Teatro. Peguei os alunos da primeira e segunda séries Ginasial e a Maria Alice Vergueiro os da terceira e quarta séries. Apesar de ter voltado ao meu ninho original, foi lá que eu tive uma das piores experiências da minha vida: um dos alunos, filho de militar, me denunciou como ativista e eu sofri um processo pelo DOPS. Fiquei completamente perdido, desorientado. Minha ingenuidade como ser humano, meu idealismo, meus sonhos, foram corrompidos pela dor de ser interrogado, julgado, humilhado. Foi terrível. Não cheguei a ser preso, porque meu padrasto, através de um advogado conhecido, conseguiu segurar de alguma forma. Mas perdi meus direitos de cidadão trabalhador e levei anos para me recuperar da violência das argumentações verbais ameaçadoras que me feriram muito mais do que poderia imaginar.

Minha salvação veio através da  Educação Através da Arte, no Centro de Educação e Arte, na escola da Fanny Abramovich. Uma linda experiência e uma amiga inesquecível que a minha imaturidade não soube reconhecer, infelizmente. Resta a lembrança do tanto que com ela aprendi como ser humano.

A volta para o Rio

Acabei voltando para o Rio. Minha mãe e minhas irmãs já tinham retornado. Eu estava sozinho. Tudo estava meio destruído, não via perspectivas e cheguei de volta à terra natal em 1973. Mas a alma paulistana permaneceu intocada. Sou paulioca. Ou cariolistano.

Comecei a me articular, a dar aulas de teatro, participar de eventos criativos e culturais e a encontrar pessoas.  No Rio não é difícil encontrar gente que se diz “artista”. Parece até uma regra para se morar e ser aceito na cidade. Todos são um pouco de teatro, dançam, cantam, sapateiam, escrevem e dão pinta. Em 1979 perdi um grande amor de forma trágica. O teatro veio, ele novamente, salvar-me da dor e da tristeza. Escrevi o meu primeiro texto em homenagem a ele: “As 3 Luas de Junho” Uma festança junina reverenciando a cultura popular, que era o meu objetivo. Não sei até hoje se o espetáculo era ou não era infantil.  Levar um espetáculo para todos os públicos era o que eu queria, independente da faixa etária.

O argumento para o texto surgiu de duas fontes: de um belíssimo sonho que tive, onírico, fantasioso, cheio de luas e da cantoria de nossa amiga inesquecível, Almerinda, senhora de saberes trazidos do interior da Bahia e que conosco conviveu durante anos, com seu olhar doce e sua alma generosa até quando nos deixou.

Conseguimos com uma trupe porreta comandada por Sonia Picinin, Ronaldo Mota, Vicente Maiolino, Ana Deveza, Bia Arruda, Jena Kopelman, Goya Castro e tantos outros queridos amigos que não seguiram fazendo arte depois da montagem.

Em As 3 Luas de Junho, cada lua conta parte da história: a Lua de Santo Antonio era a Crescente; a Lua de São João era a Cheia; e a Lua de São Pedro, Quarto minguante. A Lua Nova era a de julho, a que você não vê no céu.Com o tempo, retirei “Julho” por achar extenso e desnecessário.

Ganhei com esse texto o Concurso de Dramaturgia do INACEN (79/80) e depois o Troféu Mambembe de Melhor Autor além de várias indicações.

Aproveitando o mote das três luas, fizemos algumas  apresentações em ruas e praças com um dos temas da Lua de julho:  São Jorge e o Dragão. A quarta  Lua, a Lua Nova.

Depois montamos em 1983, As Sete Quedas do meu Pobre Coração, abalados com a destruição das Cataratas, quando da formação do lago da represa de Itaipu. Com esse espetáculo também ganhamos mais um Mambembe  e recebemos outras indicações.

Simultaneamente ganhei mais dois prêmios do INACEN. Dois textos de bonecos/mamulengos em homenagem e reverência aos mamulengueiros nordestinos: Florzinha que não se Cheira e Firmino Papa-Tudo na Rua do Sobe e Desce à Caminho do Juízo e o outro: Mariazinha do Bole-Bole.

Como o primeiro texto tinha um nome enorme, ao produzirmos, simplificamos para Deu Frô na Cabeça. Esse título, irônico e popularesco, acabou criando algo curioso:  às vezes, víamos alguns cartazes de divulgação afixados  em lojas ou bares com o nome corrigido para FLÔR ! Foi o terceiro espetáculo que dirigi. Embora Mamulengo, foi adaptado para atores e direcionados à adultos.

Outras parcerias

Em 1987 dirigi um texto do João Siqueira, Palhaçadas, com Gilberto Gawronski e  Markus Avaloni. Nossa parceria foi bastante feliz e no ano seguinte montamos Em Busca do Coração Secreto – uma adaptação de Chapeuzinho Vermelho , especialmente  escrita para dois homens representarem e foi, certamente, um dos espetáculos que mais gosto de ter escrito e dirigido. Tivemos várias indicações à prêmios e os atores receberam o Mambembe Melhores Atores.

Alma Poética

Quando se envereda por um trabalho tendo a cultura popular como foco, a Poesia estará sempre presente. Ela está no texto, na encenação, nos figurinos, na música, na pluralidade das relações. Acho que o Brasil esqueceu ou deu às costas a este outro Brasil. Naquela época já era assim. Um Brasil do interior, dos sertanejos, dos quintais dos subúrbios das grandes metrópoles já estava sendo relegado a um segundo plano. O Brasil desejava ser “Primeiro Mundo”. E ainda deseja. E ainda corre atrás disso e o máximo que consegue com suas curtas pernas é ser um papel carbono de poderosos americanos ou europeus. Os Dois Brasis. Que não se miram. Que não se olham. Que não se enxergam.

Eu, porém, tinha essa preocupação de trazer a cultura popular para a cena. Ainda tenho. Mas está cada vez mais difícil. O Brasil se distanciou demais dos brasileiros. Paradoxalmente.

Todos os meus textos tinham esse sentido, essa preocupação.  A Idade do Sonho falava dos ciganos. Em nossa infância, a história dos ciganos ativava nossa imaginação de uma maneira  espantosa através das histórias que os adultos nos contavam.

Vicente Maiolino, que dirigiu esse espetáculo ganhou vários prêmios. Era uma encenação preciosa, linda, digna do grande talento que ele tinha e do amor que palpitava em seu coração puro e ingênuo identificado com o popular.

Por essa época ainda fizemos dois grandes trabalhos em Museus. O primeiro foi no Museu de Folclore Edison Carneiro chamado A Brincadeira do Boi Voador e o segundo no Museu Nacional de Belas Artes: Dona Conceição. Ficamos três anos no Museu de Folclore e até hoje  lamentamos – nós e a direção do Museu, o fim desse projeto.

Com o tempo, a vida e a vida das pessoas ganham rumos diversos. As pessoas seguem seus caminhos e o trabalho de grupo foi se esvaziando.  Mas, naquele período, deu o seu recado. Belos espetáculos, sinceros, verdadeiros, emocionantes. Um grupo de muitos talentos que ali brotaram e se desenvolveram: revelaram-se artistas plásticos, músicos, bonequeiros, diretores, autores, como, por exemplo, Jena Kopelman, bonequeira, Ana Deveza, bonequeira e autora, Vicente Maiolino, diretor, cenógrafo e figurinista, Sonia Picinin, atriz e diretora, oriunda do Grupo VentoForte, Ronaldo Mota, grande violonista, cantor e compositor, Goya Castro, roteirista e cineasta, Bia Arruda, atriz, Margarida Baird, atriz, etc.

Ainda, voltando, com relação ao meu interesse e preocupação pela cultura popular – que diz respeito a nossa história, nossa formação como nação, que diz respeito as nossas tradições de origens européia, africana e indígena, devo acrescentar que é por causa dessa comunhão , da fantástica integração e miscigenação dessas três culturas que até hoje, brado forte que somos brancos, negros e índios. Temos em nós, como Nação, o DNA, o acervo cultural, entre outros, da história da Humanidade. E não temos o direito de deixarmos de olhar para quem somos e de onde viemos.

Por essa motivação – que mantenho até hoje, me aprofundei no estudo dos Contos de Fadas  que me conduziram ao estudo dos Mitos e da Mitologia, grega, africana, indígena.

Assim, a junção dessas duas vertentes, Cultura Popular e Contos de Fadas e Mitos, produziram e produzem , em mim, um tipo de argumento, um tipo de trabalho artístico muito interessante ao traduzir esse encontro de uma maneira tão rica e tão bela em textos que são  produzidos quase que inconscientemente. Dá-los à luz é um longo e rico aprendizado de arte, vida, cultura, humildade e humanidade.

São inúmeros os que tenho produzido. Não apenas para Teatro mas para Cinema, Tv e Literatura. Para crianças, para jovens, para adultos. Todos foram escritos ao longo da minha vida e em concordância com as várias idades não cronológicas mas sim, emocionais. Eu poderia ter 50 anos ao escrever tal texto. Porém, a emoção era de 7 anos ou, de 70 ou de 25. Sei lá! Alguns ganharam até prêmios, mas na conjuntura atual nas circunstâncias em que estamos sendo danificados em nossas riquezas criativas, tornaram-se inviáveis. Fica para a próxima estação onde o nosso comboio possa desembarcar e armar a sua tenda cigana.

A entrada na televisão

Quando realizamos os dois trabalhos em Museus, eu já tinha começado a trabalhar na TV Globo. Era eu o responsável pela Oficina de Atores. Fui para  televisão e só me interessei pelo trabalho porque havia uma preocupação com a formação de jovens atores além da interpretação em si. Isso me interessou muito, pois além de ser um exercício para eles, era para mim também. Trabalhei com os jovens atores e para a Oficina de Atores por mais de 20 anos. Foi um longo aprendizado, uma troca muito grande, emocionada e profunda com grandes companheiros de trabalho como Renato Farias, Marco Dantonio, Mauro Alencar, Ana Kfouri, Jairo Bouer, Silvia Morgenstern, Jayme Arôxa, Luiz Carlos Vasconcelos, Flávia Reis, Fernando Vieira e muitos mais.

Em 1995, com alguns atores da Oficina montamos Uma Tragédia Florentina, de Oscar Wilde, no Paço Imperial. Trabalharam nesse espetáculo, Patrícia Nidermeyr, Cláudio Lins e  Paulo Trajano.

Em 2002, numa feliz parceria com Eduardo Moscovis, também oriundo de Oficina e com Ana Lucia Torres, produzimos Norma, um texto meu e de Dora Castelar, por mim dirigido. Com ele viajamos por todo o Brasil e nos apresentamos em Portugal. Norma é lembrado até hoje e pensamos com seriedade em uma nova montagem com outros atores.

Apenas  a título de curiosidade, lembro que nossa estreia foi no Festival de Curitiba. A emoção, fortíssima, reuniu naquele momento, em encontro inesquecível, gente que não se encontrava há anos! Na plateia, Silney Siqueira, que nos dirigiu – a mim e a Dora Castelar, no Teatro de Arena no início dos anos 60 e Ana Lúcia, a quem dirigiu em Morte e Vida Severina no memorável espetáculo do TUCA de São Paulo. Comovente.

Em 2003, montamos Tartufo, de Molière. Uma montagem de muitos problemas, frustrante sob vários aspectos, tendo ainda no elenco Eduardo Moscovis e Ana Lucia Torre, entre outros.

Tempos difíceis

Tenho ainda muitos textos infantis inéditos. Os tempos são outros. Não dá mais para senos aventurarmos. Não tenho mais vinte anos. E detesto correr atrás de produção. Hoje, quando me chamam, vou logo perguntando: tem dinheiro, tem produção? Se não tem, não entro mais em roubada. Não tenho mais paciência para isso.

Quando a gente fala de trabalho, eu sempre me pergunto o seguinte: tem algum sentido montar esse texto? Tem algum proveito para as pessoas? Elas vão refletir sobre o que está sendo posto em cena? Se não tem, se é apenas um divertimento, um passatempo tolo, não me interessa. As porcarias que apresentam na televisão já não são suficientes?

As pessoas com as quais me relaciono e trabalho até hoje, é  porque temos uma sintonia. Não é um grupo formal, mas é um grupo que tem uma identidade de intenções, de idéias, de provocações…

Eu tenho uma pilha enorme de textos, de projetos, sejam infantis, jovens ou adultos. Todos tem algo em comum: a minha escrita poética. A poesia das raízes e o voo dos pássaros. E a Coleção do Avesso com 8 títulos para quem quiser ler. Seja quem for e o que for. Tendo a idade da Terra, vai gostar. Axé!

Espetáculos realizados no Teatro de Arena de São Paulo, com os alunos do Colégio de Aplicação

1968 – A Bruxinha que Era Boa, de Maria Clara Machado, direção Silnei Siqueira
1968 – O Boi e o Burro à Caminho de Belém, de Maria Clara Machado, direção Myriam Muniz
1968 – Joãozinho, Anda pra Trás, de Lucia Benedetti, direção Silnei Siqueira
1968 – Aventura na Ilha Azul, de Ricardo Gouveia, direção do elenco

1981 – As Três Luas de Junho e uma de Julho (também autor e ator, co-dirigido por Sonia Piccinin). Estreou em 22.08, no Teatro Experimental Cacilda Becker. Temporada de 13.03 a 11.04.1982 no Teatro de Arena e no Teatro Glauce Rocha
1983 – As Sete Quedas do meu Pobre Coração (também autor e ator) no Teatro Glaucio Gill e Teatro Cacilda Becker
1987 – Palhaçadas, de João Siqueira, Teatro de Bolso e Casa de Cultura Laura Alvim
1988 – Em Busca do Coração Secreto (também autor). Teatro Glauce Rocha e Teatro SESC II
1989 –  Em Busca do Coração Secreto (São Paulo)
1982/3 – São Jorge e a Lua (também autor), Teatro de Rua
1984- Deu Frô na Cabeça  (também autor e ator), Teatro Cacilda Becker
1988 – A Brincadeira do Boi Voador, (criação do grupo e co-direção com Sonia Piccinin e também ator) Museu de Folclore Edison Carneiro
1989 – Dona Conceição, (criação do grupo e co-direção com Sonia Piccinin e também ator) Museu Nacional de Belas Artes

1984 – O Mistério do Boi Surubim, Auto de Natal, direção Fernanda Leite, Teatro Cacilda Becker
1984 – O Pequeno Circo dos Pequenos (em parceria com Adhê Oliveira) direção Fernanda Leite, encenado nos Arcos da Lapa. Auto de Natal.
1985 – A Idade do Sonho, direção Vicente Maiolino, Teatro Cacilda Becker
1986 – O Ouro das Estrelas, direção Vicente Maiolino, Teatro Villa Lobos (Tonio Carvalho também como ator)

Textos inéditos

O Circulo da Serpente
Contos de Fadas
A Torre dos Ventos
Histórias de A-Ayá
São Jorge, a Lua e o Dragão
O Senhor dos Mares

1968 – Irmão das Almas, de Martins Pena, direção Milton Gonçalves, Teatro de Arena, SP

1984 – Deu Frô na Cabeça (também autor), Teatro Cacilda Becker
1995 – Uma Tragédia Florentina, de Oscar Wilde, Paço Imperial
2002 – Norma, (também texto em parceria com Dora Castellar), Espaço Cultural Sérgio Porto
2003 – Tartufo, de Molière, Teatro Maria Clara Machado

Textos Inéditos

O Natal de Harry
Um Passeio no Parque
Meninos da Terra
Feridas de Deus
Vagas Estrelas
Os Príncipes
Romeu e Mercuccio
A Noite dos Cisnes
(em parceria com Alê Piccini)

1981 – As Três Luas de Junho e uma de Julho

Prêmio Mambembe – Rio Janeiro

Prêmio na Categoria Autor (Tônio Carvalho)
Indicação na Categoria Cenógrafo (Sonia Piccinin, Vicente Maiolino e Tena Kopelman)

Prêmio SNT

Cinco Melhores Espetáculos do Ano

1983 – As Sete Quedas do Meu Pobre Coração

Prêmio Mambembe – Rio de Janeiro

Prêmio na Categoria Grupo, Movimento ou Personalidade (Grupo Feliz Meu Bem)
Indicação pela Cenografia (Vicente Maiolino)
Indicação na Categoria Especial (Vicente Maiolino – pelos Bonecos e Adereços)

1984 – O Mistério do Boi Surubim

Prêmio Mambembe – Rio de Janeiro

Indicação como Autor (Tônio Carvalho)
Indicação como Revelação (Fernanda Leite – pela Direção)

1985 – A Idade do Sonho

Prêmio Mambembe – Rio de Janeiro

Prêmio pela Cenografia (Vicente Maiolino)
Prêmio Revelação (Vicente Maiolino – pela direção)
Prêmio Categoria Especial (Patrícia e Raquel Durães – pela Música e Direção Musical)
Indicação como Autor (Tônio Carvalho)

1986 – O Ouro das Estrelas

Indicação para Ator (Luís Carlos Vasconcelos)

1987 – Palhaçada

Indicação para Autor (João Siqueira)

1988 – Em Busca do Coração Secreto

Prêmio Mambembe – Rio de Janeiro

Prêmio de Ator (Markus Avaloni e Gilberto Gawronski)
Indicação pela Direção (Tônio Carvalho)
Indicação pela Cenografia (Tônio Carvalho)

Prêmio SNT – Rio de Janeiro

Os Cinco Melhores do Ano

Prêmio Coca-Cola – Rio de Janeiro

Prêmio pela Direção (Tônio Carvalho)
Indicação pela Cenografia (Tônio Carvalho)
Indicação de Ator (Markus Avaloni e Gilberto Grawonski
Indicação pela Produção (Cia do Imaginário)
Indicação pela Música (Edson Campos e Marcelo do Rio)

1989 – Em Busca do Coração Secreto

Prêmio Mambembe – São Paulo

Prêmio pela Cenografia (Tônio Carvalho)
Indicação pela Direção (Tônio Carvalho)
Indicação pelos Figurinos (Gilberto Gawronski)
Indicação Produtor ou /empresário (Caliban Produções Artísticas)
Indicação na Categoria Atriz Coadjuvante (Milene Cid Perez)
Indicação na Categoria Ator Coadjuvante (Gilberto Gawronski)
Indicação na Categoria Figurinista (Gilberto Gawronski)

Prêmio SNT – São Paulo

Os Cinco Melhores do Ano

Premio APCA – São Paulo

Prêmio Melhor Direção (Tônio Carvalho)

Prêmio

2002 – Norma (Melhores do Ano)

 

As Três Luas de Junho – 1o Prêmio de Dramaturgia

A Idade do Sonho – 2o Prêmio de Dramaturgia

Histórias de A-Ayá – 1o Prêmio de Dramaturgia

Contos de Fadas – 2o Prêmio de Dramaturgia

A Torre dos Ventos – 2o Prêmio de Dramaturgia

O Mistério do Boi Surubim – 1o Prêmio de Dramaturgia

O Pequeno Circo dos Pequenos – 1o Prêmio de Dramaturgia

Mariazinha do Bole-Bole – 1o Prêmio de Dramaturgia (Mamulengos)

Florzinha que não se cheira e Firmino Papa-Tudo na rua do sobe e desce à caminho do Juízo – 1o Prêmio de Dramaturgia (Mamulengos)

Possui ainda inúmeras publicações de literatura infantil, roteiros para televisão e cinema.

Entrevista realizada em junho de 2017, porAntonio Carlos Bernardes