O Embarque de Noé – O Dilúvio: espetáculo arrastado

Crítica publicada em O Globo – Rio Show
Por Luciana Sandroni – Rio de Janeiro – 06.12.1991

 

 

 

 

 

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Dois tratamentos para Maria Clara Machado

Montagens no Tablado e no Tereza Rachel diferenciam o trabalho de uma criadora

O Tablado está em festa, comemorando seus 40 anos de fundação. Nesse tempo, além de ter ótimos atores, iluminadores, cenógrafos e figurinistas, ele foi palco para uma das autoras mais críticas, irônicas e bem-humoradas, do Brasil – e totalmente voltada parra a infância e juventude: Maria Clara Machado.

Para comemorar junto às criança, o Tablado esta encenado O Boi e o Burro no Caminho de Belém, seu primeiro texto e, no Tereza Raquel está em cartaz O Embarque de Noé – O Dilúvio.

O Boi e o Burro é um auto de Natal que mostra o nascimento do menino Jesus pela ótica dos animais. Cico Caseira (Burro) e André Mattos (Boi) encabeçam o elenco formado por ex-alunos e professores do Tablado, como Cláudia Abreu e Bernardo Jablonski. O figurino de Kalma Murtinho completa o bom nível do espetáculo.

O mesmo não acontece com O Embarque de Noé, texto também de inspiração bíblica e de Maria Clara Machado. O espetáculo se arrasta, sem graça e sem ação. Os personagens são estereotipados. A direção de Malu Macedo não traz nenhuma inovação. E a trilha sonora é constrangedora ao usar temas de filmes famosos como E.T e Blade Runner.

A coreografia e o cenário não são criativos e os atores estão muito fracos. Noé, o público infantil e Maria Clara mereciam um embarque de primeira classe.