Crítica publicada no Jornal do Brasil – Caderno B
Por Lucia Cerrone, Rio de Janeiro – 31.12.1991

 

Barra

Um conto de fadas com pouca magia

Corre a lenda, no teatro amador, de que um ator não pode passar pela experiência do grupo sem ter encenado, pelo menos uma vez, O Auto da Compadecida e/ ou Morte e Vida Severina. Os equivalentes no teatro amador infantil são, sem dúvida, Pluft, o Fantasminha e O Casaco Encantado.

Concebido no ano da graça de 1948 por Lúcia Benedetti, O Casaco Encantado tem todos os ingredientes de um bom conto de fadas, onde não faltam as figuras do rei, da princesa, dos súditos e dos mágicos. Mas se o texto tem o mérito de, ainda hoje, 43 anos depois de ter sido lançado, agradar ao público infantil, é porque possui qualidades indiscutíveis. A montagem de O Casaco Encantado que ocupa o palco do Teatro Barrashopping, no entanto, deixa muito a desejar.

Antes mesmo de soar o terceiro sinal, a confusão já está formada. A platéia assiste à chegada de esbaforidas mocinhas, vestidas de Papai Noel (Mamãe Noel? Garota Noel?), que não têm qualquer relação com o espetáculo. No palco, ainda com a cortina fechada, um ator brincalhão desvenda parte do cenário, num jogo rápido de cortina. E lá estão os atores dançando Remelêxuxa, que faz parte da trilha ambiental.

Finalmente começa o espetáculo. Um rei sibilante, que odeia mágicos, expulsa todos do seu reino. Um dos mágicos – que parece inspirado no cantor Serguei – aparece na casa dos alfaiates que trabalham para confeccionar o casaco do rei. A história continua por quatro cenários diferentes até o final inesperado, quando a figura pouco recomendável do mágico é nomeada ministro da Economia, pelo seu talento de fazer aparecer dinheiro do nada.

Pensando bem, a idéia não é de todo absurda, não fosse este um espetáculo dedicado a um público estranho. As pequenas artimanhas divertem muito mais os pais e os próprios atores do que as crianças.

O Casaco Encantado ainda poder dar certo, desde que passem os festejos de fim de ano e que o elenco leve mais a sério seu trabalho, deixando que as boas intenções da produção apareçam.

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