Beatriz Bedran: o trabalho como fonte de energia e prazer

Crítica publicada no Jornal O Dia
Por Armindo Blanco, Rio de Janeiro, 03.08.1981

Barra

Volta o Bloco da Palhoça

Maravilha: sábado próximo, dia 8, no Teatro Villa-Lobos, estará de volta o Bloco da Palhoça, agora com Canto de Trabalho, texto e direção de Maria de Lourdes Martini, que também assina cenografia e figurinos, de parceria com Victor Larica, sob a supervisão de Sérgio Silveira, apoio musical de Paulo Menezes e elenco liderado pela polivalente Beatriz Bedran.

O grupo, criado em 1977, tem desenvolvido um importante trabalho de pesquisa de uma linguagem musical dirigida ao público infantil e baseada na cultura popular brasileira. E não se exibe apenas em Palcos convencionais, mas também em escolas, praças e até festas de aniversário particulares. Ao ar livre, atua como uma caravana, misto de trem elétrico, circo e charanga carnavalesca, e com uma centopeia gigante mobilizando a plateia para o bloco.

Cantos de Trabalho é, segundo a autora e diretora, “uma louvação ao trabalho no seu sentido mais amplo”, não como fardo pesado imposto pela sobrevivência, mas como fonte de prazer e energia. A música ajuda a passar esse conceito, e os cenários remetem a dois níveis: o real e o da plasticidade do trabalho, “num grande exercício lúdico com formas que se armam e desarmam, transformando-se a cada movimento”.

Em 1980, com Bloco da Palhoça – Música para Cantar e Dançar, o grupo recebeu o Troféu Mambembinho, do SNT/MEC, que distinguiu o espetáculo como um dos cinco melhores do ano. Agora, o grupo se reforça com a colaboração de Maria de Lourdes Martini, detentora de um Prêmio Molière pelo seu trabalho para crianças no Grupo Quintal, de Niterói, e professora de literatura ibérica em várias faculdades. Aliás, como ela mesma antecipa, o texto de Canto de Trabalho foi construído à maneira do chamado teatro frontal do Século XVI, “cuja principal característica, os versos toantes, ou seja, versos octossílabos com rimas nas vogais, foi muito usada por Garcia Lorca e, no Brasil, por João Cabral de Melo Neto”.

A partir de amanhã, no saguão do Dulcina, estarão expostos ao público painéis iconográficos da vida e obra do poeta Maiakovski, autor de O Percevejo, peça atualmente em cartaz naquele teatro. A exposição reúne fotografias, desenhos, rascunhos e todo o manancial de dados e fatos acumulados, um ano e meio de pesquisa, pela equipe responsável pela adaptação e montagem do texto: Luiz Antônio Martinez Corrêa, Dedé Veloso, João Carlos Motta, Guel Arraes e outros, além de oito quadros do artista plástico Hélio Eichbauer, com os seus estudos cenográficos para o espetáculo. Uma exposição imperdível. Como, de resto, o próprio espetáculo, que só tem feito melhorar, desde a estreia.