Cartaz, 1977

Filipeta do espetáculo que estreou na cidade do Rio de Janeiro, no Teatro Ginástico, em 26.11.1977, com temporada até março 1978

Fotos: Sebastião Barbosa

Barra

Cartaz da segunda temporada do espetáculo, na cidade do Rio de Janeiro, no Teatro SESC Tijuca, nos meses de maio e junho de 1978

Barra

(INFORMAÇÕES DO CARTAZ/PROGRAMA RIO DE JANEIRO)

(Frente)

Grupo Ventoforte sopra

MISTÉRIO DAS NOVE LUAS

Teatro SESC Tijuca
Rua Barão de Mesquita, 535

Sáb. e dom. 16h

(Verso)

Mistério das Nove Luas

Casamento – Começo

Caminhada em Nove Luas
1ª. Lua Seguindo as pegadas
2ª. Lua Pegadas da Velha
3ª. Lua Lua dos dois caminhos
4ª. Lua Lua do passado
5ª. Lua Uma lua especial
6ª. Lua Eclipse
7ª. Lua O Circo Mais Pobre do Mundo
8ª. Lua Uma lua dividida
9ª. Lua Uma lua de muitas penas soltas

Nascimento – Despedida

Porteiro do Escuro: Coitado da onça. Ela vai se perder.
Porteiro do Claro: Onça não se perde: ela fica em qualquer lugar.
Porteiro do Escuro: Onça não volta?
Porteiro do Claro: Onça não tem casa. Gente é que tem casa e quando fica longe e não sabe voltar se perde. Porteiro do Escuro: Ah! Mas se a onça não se perde, a gente se perde.
Porteiro do Claro: Quando ficar escuro, a gente não vai conseguir achar a onça.
Porteiro do Escuro: E nem a onça vai saber que está procurando por ela.
Porteiro do Claro: E a estrada não vai nem saber quem passa: se é gente que se perde, ou onça que não se perde.
Porteiro do Escuro: Então, vamos levar o lampião pra poder iluminar o escuro.

Elenco

Atores / Personagens 

Biza de Souza: Menina do Cabrito e Onça
Ilo Krugli: Palhaço Não Sei
Paulo César Brito: Porteiro do Claro, Dono do Circo
Queca Vieira: Cabrito
Regina Costa: Velha das Ervas, Apresentadora do Circo
Márcia Correa: Menina do Cabrito, Onça
Ronaldo Mota: Contra-mestre
Sebastião Lemos e Ricardo Howat: Homem Especial
Sonia Piccinin: Contra-Mestra
Vilma Florentino: Apresentadora do Circo
Xuxa Lopes: Porteiro do Escuro

Todos: Brincantes, Homens da mata, Gente de circo

Músicos
Ronaldo Mota: Violão
Queca Vieira: Cavaquinho
Damilton Viana: Percussão
José Carlos de Couza: Percussão

Ficha Técnica

Autores: Ilo Krugli, Paulo César Brito, Sonia Piccinin
Direção, Cenários, Figurinos: Ilo Krugli
Música: Ronaldo Mota
Coordenação Musical: David Tygel
Assistente e Realização de Figurinos: Biza de Souza
Iluminação: Jorginho de Carvalho
Objetos de Cena: Grupo Ventoforte e Paulo César Lotufo
Fotografia: Sebastião Barbosa
Operadores de Luz: A. Elias e Cláudio Piovesan
Maquinista: Sabu
Costureiras: D. Neli e Maria
Bilheteiros: Zé da Cabra e Modesto

Debaixo de água tem terra.

Debaixo da terra tem água.

Dentro de cada criança existe um homem de olhos abertos para o mistério de crescer da noite para o dia e do dia para noite.

Dentro de cada homem existe uma criança recolhida numa sombra de crepúsculo que teima em evocar…”eu era”…

Debaixo do asfalto tem muita terra e muita água; dentro dos prédios de concreto tem homens e crianças que mal conjugam os passados e futuros imperfeitos. Tudo isto, para formular um universo relativo em volta da pergunta que mais nos acompanha neste nosso trabalho: “Por que voltar a fazer teatro para crianças?”

A resposta estaria talvez nas frases criadas pelos atores, num dos nossos espetáculos, quando são escolhidos os caminhos a seguir pelo rio ou pela estrada: debaixo da terra tem água, debaixo de água tem terra.

É este então um caminho de continuidade por dentro ou por fora de nós adultos e da nossa criança. Ao mesmo tempo a linguagem do espetáculo tenta elaborar a lembrança da festa e do mito popular, onde se confundem crianças, jovens, velhos e bichos que ainda andam por caminhos de terra e que dançam com os sons, ritmos e ressonâncias dos tambores e atabaques que lembram o pisar forte no chão ou batida viva do coração.

Agradecimentos

Centro de Arte e Criatividade Infanto-Juvenil do Meier, D. Celeste, D. Adelaide, Neuzinha Navaro, Regina Maria (título: Mistério das Nove Luas), Marcos Assmann (experiências de percussão), Heloisa Pires /Ferreira (estandarte), Sérgio Brito (Teatro dos Quatro), Nana e Célia.

Agradecemos todos Atores que já Passaram pelo Grupo Ventoforte

O homem é diferente do bicho
O bicho é feito de terra e água
O homem é feito de carne e pele
O bicho é feito de olhos e cheiro
O homem é feito de pensamento e solidão
O bicho é de mato e pedra
O homem é de osso e medo
Nas nove luas existe
Homem e Bicho no momento extremo
e belo de ser homem-bicho
no sonho e certeza da vida
assinado criatura-onça (Ronaldo)

Nos espelhos de nossos chapéus se refletem as imagens mágicas de um mundo que às vezes sentimos perdido no passado, e à luz destas imagens a flor do fundo do peito de Candelários faz desabrochar o Mistério e a Esperança de muitas Benvindas. (Sonia) 

É um mistério e uma festa. O Mistério esta dentro de nós e a festa somos nós. A festa de uma vida, e o mistério de ser vivida, percorrendo todos os seus caminhos. (Queca)

Que o lado de cá e o lado de lá se juntem num só ponto; que daí nasçam todas as contradições; que esse ponto esteja no centro de mim mesmo. (David) 

O casamento de Candelário e de Benvinda; os dois caminhos e a ruptura, a separação destes dois caminhos. Os dois caminhos que se juntam e formam o nascimento e o prosseguimento dos nascimentos e os outros nascimentos até que não existam mais separações. As bandeirinhas têm o significado de casamento, nascimento, circo e morte. (Lotufo) 

Benvinda, vem cá!
Ssss!!… ela está esperando!
Caminho, Caminho
Pegadas pelo chão!
De onça
De cabrito?
Pé pequeno, dedo curvo!
Água, água, água Bate bate no portão
Abre a porta, vento bate
Mas acende lampião
Você vai
Eu não vou
Você fica
Então eu vou
Por aqui
Você por lá
Muito amor no coração
Olha a terra!
Mas tem água
Quanta pedra no caminho!
Tem capim!
Tem arruda!
E tem fumaça no cordão (Regina) 

Tema comuns: um grito, um choro, e alegria, onde o processo é você. A velha, uma magia, uma certeza vinda não sei de onde, que sempre existirá nas pessoas, embora desperte tarde. Para o Cavalo do Ar uma conquista de pavor e ilusão. Resultado: posse. A onça pintada tem medo, mas conta toda peça. Para mim uma festa popular. Nem para adultos Nem para crianças, para todos. É popular!! (Damilton) 

A terra, o fundo da Terra. O peito, o fundo do peito. A voz do instinto que fala mais alto, que se preserva e se garante. Aviso. Intuição. Acreditar nisso. Procurar uma linguagem não verbal, mas muito funda – o som do atabaque, a dança conjunta, formando uma só energia central que sobe, coroa e protege – o ritual. A floresta, o mistério. Caminhos desconhecidos e a coragem de ir adiante. “A onça não se perde, gente é que se perde” (Biza) 

De repente, um caco de vidro vira relâmpago de luz. A emoção corre nas veias, como uma flor vermelha. Brincar com a criança dentro de gente pode ser difícil, mas é bonito. O coração também serve pra pensar.

P.S. – é preciso aprender a falar “oncês”. (Seba)

Por cada esquina desta cidade passam crianças… e adultos. Eu gostaria da parar para falar com eles, abrir a terra e colocar uma semente e esperar juntos. Eu só queria esperar pelas coisas que nascem dentro do peito, dentro da gente e dentro da terra. (Ilo) 

A onça fugiu
onça nunca se perde dentro da gente
ela fica em algum lugar
procurando no claro e no escuro
presa, na jaula do circo
dançando domada no picadeiro da vida
mas aí o palhaço que é criança também
e sabe da onça porque gosta dela
leva ela pró Candelário e pra Benvinda
depois que a onça encontrou o que ela precisava
a onça precisava de andar caminhar
viver chorar partir morrer nascer
onça está aqui
onça está lá
onça é criança onça é velha
onça brinca onda saçe ver e ouvir
onça gosta da onça
eu preciso falar com a onça
eu tou conversando com ela. (Paulo César Brito) 

Nove Luas: sou guarda da porta da horta da sorte e da morte. Agora vou para um circo cheio de ator e gente para domar a dor. Estarei em todas as luas de todos dias.
Ass. Onça de Benvinda (Zeca)

Ela (a onça) me arranha e me chama. (Porteiro do Escuro). (Xuxa) 

É tão simples como o sol que surge, porque não brinco de parecer criança.
Sem passe de mágica a menina na gente grande complicada, porque gosto de cores, de balanço, de sorvete e de flor. Sei riscar, bordar, traçar sem errar.

Sei arrepender.

Sei aventurar. (Vilma Florentina) 

Atividades do Grupo Ventoforte 

1974 
fevereiro: Começam as atividades do Grupo Ventoforte, no Festival de Teatro Infantil de Curitiba, com Histórias de Lenços e Ventos;
Temporada de 10 meses no MAM (Museu de Artes Moderna) e no Teatro Opinião; Participação no Festival de Inverno de Ouro Preto e São João Del Rey;
Participação no Seminário de Teatro do Instituto Cultural Brasil-Alemanha, em Salvador; 

1975
Estreia, no MAM e Teatro Gláucio Gill, da peça Da Metade do Caminho ao País do Último Círculo, em duas versões: infantil e adulto;
Novembro/dezembro: apresentação de “Da Metade do Caminho ao País do Último Círculo” em diversas cidades do interior do Estado do Rio; 

1976
Remontagem de História de Lenços e Ventos e viagem a Brasília, com convite da Fundação Cultural do Distrito Federal;
Temporada de 3 meses de História de Lenços e Ventos no Teatro Gláucio Gill;
Representação de Lenços e Ventos no Festival de Teatro Infantil de Curitiba – Fundação Teatro Guairá;
Apresentações de Lenços e Ventos no interior do Estado do Rio de Janeiro, em diversas cidades;
Apresentações de Lenços e Ventos em parques e praças públicas da cidade do Rio; Apresentações de Lenços e Ventos na Rede Penitenciária do Rio de Janeiro;
Outubro: estreia, em Porto Alegre, As Pequenas Histórias de Lorca, a convite do Departamento Cultural do RS;
Novembro/dezembro: Temporada de Lorca no Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro;

1977
Janeiro/fevereiro: Temporada de Lorca no Teatro Gláucio Gill, no Rio de Janeiro; Abril/maio: Temporada de As Pequenas Histórias de Lorca em Vitória, Brasília e Belo Horizonte;
Junho: inauguração do Teatro Experimental Eugenio Kusnet, em São Paulo, ex-Teatro de Arena, com temporada de um mês de As Pequenas Histórias de Lorca.

Prêmios

História de Lenços e Ventos

Melhor Espetáculo Infantil do Ano, 1974 – Associação Carioca de Críticos Teatrais
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1974 – SNT – Associação Carioca de Críticos Teatrais
Molière, 76 para Ilo Krugli.

Da Metade do Caminho ao País do Último Círculo 

Prêmio da Fundação Guaira (Curitiba), através do Concurso de Dramaturgia Infantil
Um dos Cinco Melhores do Ano, 1975 – SNT – Associação Carioca de Críticos Teatrais.

As Pequenas Histórias de Lorca

Um dos Cinco Melhores do Ano, 1976 – SNT – Associação Carioca de Críticos Teatrais
Considerado pela Imprensa de Porto Alegre como um dos cinco melhores espetáculos do ano, em 1976, na cidade de Porto Alegre.
Indicação Prêmio Mambembe – Rio de Janeiro direção, figurino, música
Indicação Prêmio Mambembe – São Paulo direção: Ilo Krugli, produção: Grupo Ventoforte