Ariel, entre Ana Luísa e Lenita, do elenco de Peter Pan

Crítica publicada no O Estado de São Paulo
Por Tatiana Belinky – São Paulo – 21.02.1987

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Peter Pan Sofisticado

Peter Pan original, do inglês James Matthew Barrie, que estreou em Londres, em 1904, tem cinco atos, cinco cenários e 25 personagens. Um texto que, nos seus mais de 80 anos de existência, é periodicamente remontado, em alguns países anglófonos, em todo o seu esplendor, para as alegrias e delícias de gerações de crianças. Em muitos outros países, Peter Pan também se faz presente – verdade que em versões bastante reduzidas – inclusive no Brasil: basta ver que temos duas versões diferentes e simultâneas, em São Paulo, nesta temporada. Já falei aqui de uma, com texto de Jurandyr Pereira, no Teatro Cacilda Becker. Hoje vou falar da outra – do jornalista Walcyr Carrasco, no TBC de Magnólia Lago, grande incentivadora do nosso teatro infantil.

A montagem do TBC é rica, tipo superprodução, com uma sofisticação incomum neste gênero de teatro. Tanto que a peça começa com Peter Pan surgindo e passando em pleno voo por sobre as cabeças da plateia, provocando aplausos logo de cara, para aterrissar no quarto das três crianças que depois o seguirão para a Terra do Nunca. É lá que acontecem as aventuras diversas, com o “vilão” Capitão Gancho e seu (único mas muito engraçado) ajudante, o Careca (na pele do ótimo Eduardo Silva); e com a (originalmente invisível) Fada Sininho, aqui materializada numa espécie de elfo, branquinha e mudinha, e nem por isso menos comunicativa; e o “terrível” Crocodilo, desafeto do Capitão Gancho; e uma linda sereia, criada com sinuoso humor pela cantora lírica Luciene Adami, que solta a voz num…canto de sereia absolutamente hilariante, verdadeiro achado cômico.

Montagem caprichada, até ambiciosa, com ricos figurinos, bonita e eficiente cenografia (três cenários e uma enorme caravela a navegar pelo palco), diversos “efeitos especiais”. Boas músicas e letras, perigos, correrias – há de tudo neste espetáculo divertido, com um elenco empenhado sob a direção bem-humorada e segura de Jacques Lagoa. Muito bom – embora o texto pudesse (está em tempo) ser um pouco “enxugado”.

Tatiana Belinky é colaboradora do Caderno 2.