Programa do espetáculo que estreou na cidade de São Paulo, SP, no Teatro Estação Ciência, em 2000

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Fotos: Joélcio Braulio

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(INFORMAÇÕES SO PROGRAMA)

(Capa)

Grupo de Teatro Estação Ciência
da Cooperativa Paulista de Teatro
apresenta

A ESTRELA DA MANHÃ

de  Calixto de Inhamuns

Espetáculo histórico-poético que narra a aventura humana em busca do conhecimento… e do amor.

Teatro Estação Ciência
Rua Guaicurus, 1274 – Lapa
Tel.: 263-7022
e-mail: teatro@eciencia.usp.br

(Interior) 

Apresentação

A Estrela da Manhã

Um olhar para o conhecimento

As relações arte e ciência cada vez se tornam mais presentes na Universidade de São Paulo. Vários pesquisadores e núcleos de pesquisa têm se dedicado, nos últimos anos, ao aprofundamento desse campo limítrofe do conhecimento cientifico e das linguagens artísticas. Assim, o teatro se apresenta como instância privilegiada para experimentações, inovações.

Quando Mário Schenderg foi questionado sobre as relações na criação da física e na arte, respondeu: a criação na física tem sim a ver com artística, é algo altamente intuitivo, como o artista que olha a vê coisas eu outros não veem; ele (o artista) revela coisas que as pessoas não sabem e só vêm a saber muito depois. Essa qualidade da intuição que físicos e matemáticos têm tornado o desenvolvimento dos conceitos científicos altamente fascinante.

A Estação Ciência traz ao público a primeira montagem de seu Núcleo de Arte Cênicas, objetivando criar um espaço do experimentação para a aplicação dos conceitos de arte/ ciência na ação pedagógica; a teatral mostra-se como campo fértil para aplicabilidade e verificação de tais objetivos. No momento atual, o campo científico não pode ignorar a existência de outras abordagens vindas das ciências humanas, da filosofia e da arte na busca de invenções, criação; assim, esperamos contribuir para a ampliação do campo, utilizando a linguagem teatral com campo de experimentações.

Dilma de Melo e Silva

É igualmente difícil saber da ciência como fazer teatro

Foi um grande prazer conversar  sobre o que é o conhecimento científico, suas origens diversas, seus significados poético. O grupo teatral, na Estação Ciência, foi a melhor plateia de interlocutores que já tive. A inteligência, percepção e maturidade de Calixto, Gabriela, Cauê, Angela, Luís, Tonhão, Eduardo, Lígia e todos os outros, cada um deles que, nas reuniões, se revela em alguma sentença, observação original, me estimularam a novos pensamentos e correlações. Criadores de espaços a cada gesto, luz, palavra como som e significado, eles mesmos são fenômenos físicos e social. Poderíamos entender assim a definição de arte teatral. Seria o exercício da arte como expressão de ciência.

Amélia Império Hamburger

O texto

Nos últimos séculos, no mundo ocidental, o conhecimento é visto como filho da ciência, criado por meio do intercâmbio entre a razão e a experiência metodizada. A tendência ideológica de usar apenas a razão, pela experiência, como meio de descoberta dos segredos do universo transformaram o “cientificismo” na única e verdadeira forma de se obter o conhecimento, porém, o que não se pode ignorar, é que a ciência é produzida por homens e não apenas por mentes. Todo ser humano é razão e espírito, e, sem o desenvolvimento e a fusão dessas duas partes, não pode haver uma ciência ou uma arte decente.

Ao escrever o texto A Estrela da Manhã, o meu objetivo foi mostrar que as  conquistas da ciência, como todas as conquistas humanas, representam não obras de gênios isolados, e, sim, a soma de todos os esforços despendidos pelo homem durante sua trajetória no planeta Terra. Por pertencer ao segmento da humanidade que chamamos de civilização ocidental, centrei minha história e meu personagem nesse universo.

A Estrela da Manhã é também uma tentativa de mostrar como o homem, um animal que rastejava no fundo de uma caverna, transformou-se em um indagador da natureza, atraído e fascinado pelo conhecimento. Em confronto com os grandes sábios da civilização ocidental, são colocados um poeta em busca do conhecimento e uma mulher do povo preocupada com sua barriga, apenas para lembrar que o saber e o viver andam de mãos dadas. Um com a  cabeça, o outro, com os pés no chão.

E como diz J. Bronowsk, no livro A Escalada do Homem, “História não são eventos, mas, sim, pessoas. Além disso, não são pessoas apenas recordando; é o homem vivendo seu passado no presente”. Como aceito a definição que teatro é viver pela segunda vez, por meio de eventos, para mim, a história da ciência e a busca do conhecimento formam um grande e belo espetáculo. É só separa e ordenar todo esse conhecimento com o uso da emoção e da intuição.

Calixto de Inhamuns

O espetáculo

A cena de A Estrela da Manhã compreende dois espaços: um o da narração, onde a ligação com o público é feita de forma aberta, e outro, o da recordação, onde se passam os sucessivos encontros de Enzu e Anamá com os sábios (entendendo-se por sabedoria todo conhecimento substancial sobre a Vida). Os atores transitam de um espaço para outro de acordo com a relação que se pretende estabelecer com o público – se de cumplicidade e identidade imediata, ou se de espectadores da história revivida.

Usando de adereços e figurinos dos mais diversos, e cercados por uma cenári onde desenhos variados remetem a distintas épocas da nossa história, o espetáculo procura lembrar a quem o assiste que o passado é sempre apresente e que se pode revivê-lo de forma aparentemente igual, mas, de fato, fundamentalmente diferente. É a máxima do teatro e da vida: ambos nunca se repetem da mesma forma.

O espetáculo pretende, com delicadeza e simplicidade, tocar nas diferentes formas de conhecimento que nos constituem e também aborda a relação entre as conquistas cientificas e o uso que se faz delas. Sabemos que são temas bastante complexos. Mais do que responder, pretende-se induzir a perguntas. Se atingido tal objetivo, nossa missão estará cumprida.

Gabriela Rabelo

Elenco

Aline Corrêa: Atriz 1, Mãe, Mulher da Babilônia, Discípula de Sócrates, Taberneira, Mulher de Alexandria, Anunciadora da Inquisição, Mulher Saltimbanco

Eduardo Semerjian:  Ator 2, Amigo, Adá, Tales, Heráclito, Empédodes, Aristarco, Homem da Alexandria, Marinheiro 1, Inquisidor, Mendel, Soldado

Kalil Jabbour: Ator 1, Velho, Homem da Babilônia, Pitágoras, Parmênides, Demócrito, Aristóteles, Homem da Alexandria, Marinheiro2, Homem Saltimbanco, Galileu

Plínio Soares: Enzu

Regina de Arruda: Anamá

Ficha Técnica

Autor: Calixto Inhamuns
Direção: Gabriela Rabelo
Coordenação de produção: Cauê Matos
Iluminação: Hamilton Saraiva
Cenografia e adereços: Luiz Rossi
Figurino: Luiz Rossi e Angela Rezende
Preparação Corporal: Carlos Martins
Trilha sonora: Gabriela Rabelo e Tereza Menezes
Divulgação: Renata Cajado
Fotografia: Joélcio Braulio
Assistente de Direção: Tereza Menezes
Assistente de Produção: Lígia Neves
Assistente de Iluminação: Telma Carolina Smith
Assistente de Cenografia: Bado Todã e Fabiano Assis
Pintura dos Painéis: Jean Paulo e Nero
Operado de Som: Carlos Pedroso e Fabio Barbosa
Operador de Luz: Ligia Neves
Costureiras: Angela Rezende, Wanda Pascotto e Catarina Griska

Núcleo de Artes Cênicas da Estação Ciência

Coordenação: Ernst W. Hamburger e Dilma de Melo e Silva
Consultoria Científica: Amélia Império Hamburger
Equipe Executiva e Artística: Cauê Matos, Antonio de Andrade, Calixto de Inhamus, Luiz Amorim, Gabriela Rabelo, Regina de Arruda e Lígia Neves

Universidade de São Paulo

Reitor: Jacques Marcovitch
Vice-reitor: Adolpho José Melfi
Pró-reitor de Cultura e Extensão: Adilson Avansi de Abreu
Diretor da Estação Ciência: Ernst W. Hamburger
Vice-diretora da Estação Ciência: Dilma de Melo e Silva
Coordenador de eventos da Estação Ciência: Cauê Matos

(Última Capa)

Agradecimentos

Angelina Zambrini, Antonio Carlos de Moraes Sartini, Aparecida Siqueira Alves, ASP: Corretora de Seguros, Carlito Cabrera, Clélia Pompeu, Denise Flor Carvalho Lima, Empresa Jornalística JP Ltda., Estação Especial da Lapa, Fátima Bernardes, Fátima Ribeiro, Gilena Maria Gil Graça, Hélio Cicero, Luciano Braetta, Patricia Mouradi, Raul Teixeira, Robinson Bernardes, Secretaria Municipal de São Paulo, Wilton Carlos Amorim, Toda equipe da Estação Ciência

Realização

(Logos) Estação Ciência Universidade de São Paulo Núcleo de Artes Cênicas, Cooperativa Paulista de Teatro, USP

Apoio Cultural

(Logos) Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, CULT Revista Brasileira de Literatura, Lemos Editorial