Elvira Rocha

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A primeira ida ao teatro

A primeira vez que fui ao teatro, levada por meus pais, assisti Como Vencer na Vida sem Fazer Força, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. Fui contaminada ali, naquele momento, pelo vírus do Teatro!!! Fascínio absoluto. Mas, nem meus pais nem eu mesma me dei conta de que seria algo incurável!!!

Já devia ter isso dentro de mim de alguma forma, pois minha mãe conta que aos 5 anos, quando era perguntada o que seria quando crescesse, respondia, firme: ”artista”.

Não sei de onde uma criança dessa idade tirava isso, pois na única peça de teatro que meus pais me levaram, eu já era um pouquinho mais velha. Aquela, aí de cima…

Nunca mais coloquei os pés em um teatro, até ter 14/15 anos. Ia  -so-zi-nha- sempre às matinês de domingo, cheia de livros, dizendo que ia estudar em casa de amigas. Lembro uma vez que já estava quase na porta, e ouvi meu pai falar para minha mãe: “essa menina está indo estudar mesmo? To achando isso muito esquisito”. Em um salto, eu estava dentro do elevador, e nunca mais pairou dúvidas sobre meus estudos vespertinos domingueiros…

E dá-lhe teatro! Via tudo! Hair, todas as peças do Ipanema, enfim, tudo! Sempre cheia de livros, e nunca fui barrada, pois já tinha essa altura e era uma adolescente muito compenetrada. (risos).

Começando a fazer teatro

Uma coisa que sempre teve muito em minha casa foram livros. Bibliotecas inteiras com obras completas dos mais variados autores. Logo que aprendi a ler, me deparei com aquilo, fascinada. Li praticamente tudo que tinha lá, excetuando, é claro, os livros de Direito do meu pai.

Ele sempre deu valor a educação, e estudei nos melhores colégios. Fiz várias Faculdades, tais como Comunicação (Jornalismo), Hotelaria, Parapsicologia e Teatro pela UNIRIO. Também cursei Historia na PUC, mas aí já era tarde… Fiz duas Pós-Graduações, Assessoria de Imprensa e outra em Mídias Digitais e Interatividade.

Antes de fazer o vestibular para a UNIRIO, eu já tinha feito um exame para cursar teatro. Ainda não era UNIRIO, mas eu tremia tanto, que não consegui falar o texto. Conclui que não era o momento e deixei para fazer o vestibular anos depois. Na época, estava muito empenhada em ser aeromoça!!!!

Quando ainda era estudante na UNIRIO, fiz uma peça para crianças, chamada Dona Televisão – Uma Fada Bruxa, dirigida por um dos meus amigos da Universidade e nos apresentamos no Porão do Opinião, que era administrado pela Maria Tereza Amaral. Inclusive, eu tenho carteira de trabalho,  assinada por ela, como atriz. Essa foi minha primeira experiência, digamos assim, profissional, mas ainda estudava na UNIRIO.

A segunda foi com o Aderbal, na época Jr., agora Freire-Filho, que foi A Morte de Danton, no buraco do Metrô. Fazia um dos personagens da cidade. Estavam nesse espetáculo, Bete Mendes, Gilson Moura, José Roberto Mendes, Suzana Faini e mais um montão de gente.  Um espetáculo totalmente experimental, e foi incrível, ensaiar e presenciar Suzana Faini em cena, era uma das coisas mais lindas que eu já vi na minha vida. Dessa experiência, resultou uma grande amizade com a Bete Mendes, tanto que quando ela foi para São Paulo, ser Secretária de Estado de Cultura, acabei virando sua Chefe de Gabinete.

Empreendedora

Depois dessa experiência com Aderbal, acho que se passaram uns quatro meses e ninguém me chamava para nada. Resolvi não ficar a mercê de convites. Eu nunca tive temperamento para isso. Resolvi abrir uma produtora. Isso foi em 1978. Quando fui ao contador, ele estranhou, que alguém tão nova fosse abrir uma empresa. E na sequência fiz minha primeira produção, O Dragão e a Fada, do Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros, com direção dele, e coreografia da Kate Lyra. O  elenco era a galera da UNIRIO, Alice Viveiros de Castro, Lygia Diniz, Cacá Silveira, Pratinha, eu e outros. Eu inaugurei o horário infantil do Teatro Vanucci, no Shopping da Gávea. Me descobri uma ótima produtora, e ai danou-se!

Mas… no andar de baixo, no Teatro dos Quatro, estava uma produção do Rodrigo Faria Lima, A Revolução dos Patos, com o Grande Otelo e Ruth de Souza. Só que o Rodrigo constatou que eu tinha muito mais público que ele.

O engraçado é que o Pratinha, filho do Grande Otelo, na ocasião, devia ter uns 19 anos, estava em nosso espetáculo e fazendo mais sucesso que o pai. Resumindo, o Rodrigo propôs fazer uma filipeta, com os dois espetáculos, de um lado A Fada e o Dragão e do outro A Revolução dos Patos e foi assim que nos conhecemos.

Em seguida, o Rodrigo me propôs uma parceria para produzirmos juntos No País dos Prequetés, de Ana Maria Machado, com a Sonia Braga. Foi sucesso absoluto. O sucesso foi tão grande, que colocávamos aviso de lotação esgotada, todos os dias, e o teatro era o João Caetano. Direção do José Roberto Mendes, com cenários e figurinos do Sérgio Silveira e  Lídia Kosovski, que, aliás, começou sua vida profissional comigo.

Eles sempre tiveram um trabalho que considero de vanguarda, que apresentava uma estética totalmente diferenciada. Em tempo: não me apresentem nada com pelúcia. Detesto teatro com bichinhos de pelúcia. Falando ainda do trabalho dessa dupla, tempos depois fizemos o espetáculo A Fada que Tinha Ideias, que eu amei os figurinos criados por eles, mas que foi execrado pelos críticos. Para entender o quanto era diferente, a cantora Madona, tempos depois, usou aqueles sutiãs pontudos, que eles já tinham feito.

Eles ainda fizeram comigo A Fada que tinha Ideias, de Fernanda Lopes de Almeida, A Loja das Maravilhas Naturais, do Benjamin Santos; Flicts, Ziraldo e Aderbal Jr., e A Arca de Noé. Sempre gostei muito do trabalho deles, sempre coloquei todas as facilidade de produção ao alcance deles, para que o resultado pudesse sair do jeito que imaginavam.

Em 1982 produzi A Fada que Tinha Ideias com direção do Eduardo Tolentino. Muitas pessoas pensam que foi um espetáculo do TAPA. Acho que foi a única peça que o Tolentino dirigiu fora do grupo.

A Fada que tinha Ideias ficou dois anos em cartaz. A gente trabalhava muito, fazia teatro para escolas durante dois dias de semana, fora os de horário normal no sábado e domingo. Quero dizer, levando os alunos ao teatro, pois não acho que se possa fazer um bom espetáculo, sem as mínimas condições numa escola. Aproveitava e juntava umas três ou quatro escolas para encher a plateia.

Hoje seria impossível fazer levar os alunos ao teatro durante a semana como eu fazia, pois as professoras morrem de medo de tirar os alunos de dentro da escola. É preciso mil autorizações, enfim…

Mas antes disso, produzi  O Bloco da Palhoça em Canto de Trabalho, com Bia Bedran, direção da Maria de Lourdes Martini. Ficamos em temporada uns seis meses no Teatro Villa-Lobos. O espetáculo era lindíssimo. É uma pena, que naquela época, não tínhamos o costume de filmar, de fazer um registro.

Os espetáculos que eu produzi, sempre tiveram temporadas muito longas. Vivíamos do público. Hoje os espetáculos ficam a mercê do tempo que dura o patrocínio. Os atores viviam do dinheiro que recebiam dos espetáculos. Agora, poucos arriscam, e aí se inclui toda a ficha técnica…

Em 1980 produzi três espetáculos. Montei Flicts, com direção José Roberto Mendes e estreamos no Teatro Princesa Isabel, que na época era muito bem cuidado. No elenco Alby Ramos, Lígia Diniz, Cacá Silveira, Maria Gislene, Daniela Santi, Claudia Fares, Teresa Mascarenhas, Carla Camuratti e eu. Coreografia de Deoclides Gouvêa, luz de Jorginho de Carvalho.

Produzi também o espetáculo da Lúcia Coelho, Passa Passa Tempo. Lembro que fui ver o espetáculo anterior dela, Duvide-o-do, e adorei a cenografia da Cica Modesto. Fomos depois, eu e a Lúcia tomar um café e acabamos combinando de fazer um trabalho juntas. O espetáculo ficou lindo. A Cica fez um trabalho incrível na cenografia e figurino.

Aliás, acho que essa foi uma época em que a Lidia, o Sérgio e a Cica eram os cenógrafos mais inventivos, inovadores. E trabalhávamos juntos, não é ótimo?

Depois montei A Loja das Maravilhas Naturais, de Benjamin Santos. No elenco Alice Carvalho, Daniela Santi, Gê Menezes, José Luis Rodi, Lígia Diniz, Maria Cristina Gatti, Paulinho de Tarso, Renato Pupo e Rômulo Jr. A direção era do Buza Ferraz e a música do Caíque Botkay, com coreografia de Carla Rocha e Luz de Aurélio de Simoni.

Em 1985, fizemos A Arca de Noé, com direção da Alice Viveiros de Castro e direção musical de Luiz Antonio Barcos, luz de Aurélio de Simoni. Com Ligia Diniz, Fátima Valença, Marcelo Escorel, Antonio de Bonis, Deoclides Gouvês e eu! Coreografia de Renato Castelo. Ficamos dois anos em cartaz. Só em Niterói ficamos três meses, quando ninguém acreditava que não duraríamos nem um mês… E além do horário de fim de semana, ainda trazíamos escolas para dois dias na semana!!!

Quando ganhei o Premio Molière, acabei ficando muito amiga da Zilka Sallaberry, que, por minha escolha, me entregou o Prêmio. Afinal, ela tinha sido a bruxa do Teatrinho Troll e depois a Dona Benta, do Sítio do Pica Pau Amarelo! Fundei e administrei o Espaço Zilka Sallaberry por 10 anos, com muitos cursos acontecendo. Depois, quando de sua morte, herdei todos os prêmios que ela ganhou ao longo da carreira. Estão expostos em um lugar especial na produtora.

Mas com tempo fui me cansando. Parei de produzir teatro para crianças porque o entorno começou a ficar muito chato. Divulgar foi ficando impossível. Começou a não ter lugar para guardar o material de cena. Eu sou daquelas pessoas, que cuidam do que eu quero apresentar. Meus espetáculos são exatamente a mesma coisa do primeiro ao último dia. Nada rasgado, nada quebrado. Tenho muito cuidado com o acabamento dos objetos, dos figurinos. Eu realmente sou muito chata nesse ponto. Não consigo suportar, que num mesmo teatro, tenha três quatros espetáculos, dividindo palco e não tendo espaço para guardar o material. Dividir camarim com outras produções… Isso foi me dando uma brochada. O porta-malas do meu carro virou um grande gavetão onde guardava-se de tudo um pouco, para o material não ficar socado no camarim. Agora, devo confessar: sou louca por um camarim!

Falar da divulgação então…. Comprei uma briga com o Jornal do Brasil uma época. Se eles tinham um anúncio a mais, pronto, cortavam tijolinhos e sempre o teatro infantil era o sacrificado. Então todo mundo punha a letra “A” para ficar encima e não ser cortado. E logo depois o Jornal do Brasil acabou… E a divulgação do Globo?? Salve as redes sociais!!!

Foi nesse momento que eu resolvi fazer Faculdade de Jornalismo. Trabalhei na Bloch e amava. Trabalhei lá uns três anos na “Pais & Filhos” e amava. Mas um dia, eu cheguei para trabalhar e tinha aquelas fitas lacrando a entrada.  A Bloch faliu, deu o último suspiro de uma doença que se arrastava anos a fio.

Depois da Bloch, foi o período que fiquei em São Paulo,sendo chefe de gabinete da Bete Mendes. Também tive uma videolocadora, onde privilegiava o cinema nacional. No meu circulo de amizades, sou uma das poucas que vê tudo o que se faz no cinema nacional. E não saio no meio do filme…

Eu nunca fechei minha produtora. Ficou meio parada, mas volta e meia produzia um shows, peças para adultos, espetáculos de dança, testes para circences e bailarinas para trabalhos internacionais. Mas quando a revista fechou, voltei a produzir direto.

Escolhendo textos

Eu tenho uma criança de cinco anos dentro de mim. Quando eu lia os textos que eu recebia,ou garimpava, minha criança aflorava total. Se eu estivesse na plateia, olhando essa história, vendo esse espetáculo, será que eu ia gostar ou achar chato? Se eu achasse que eu criança ia achar legal, eu montava. Li muitos texto que descartei, e os que gostei foram montados. Chamava o diretor, o diretor musical, o iluminador, escolhia o teatro, o elenco…tudo, do inicio ao fim, era minha responsabilidade.

Entrando em cena

Eu sempre atuei em minhas produções. Mas a minha foi e é a qualidade do espetáculo. Eu não me acho uma grande atriz. Mas eu gosto de me divertir como atriz, como eu também não gosto de ser a cantora principal. Eu gosto de ser backing. Eu nunca montei meus espetáculos para ter o papel principal, por que eu sabia que não era uma atriz suficientemente boa para isso. Eu não ia montar um espetáculo para eu estragar por vaidade. Eu sempre digo, a criança sabe tudo, e eu não queria que ela me apontasse, dizendo que estava estragando o espetáculo. Assim, eu fazia os outros personagens secundários. E me divertia vendo meus amigos trabalhando extraordinariamente bem, o espetáculo lindo, as crianças amando! Minha criança de 5 anos também adorando, participando de tudo!

E eu me divertia. Uma vez, eu tive que substituir uma atriz. Eu fazia uma bruxa. Uma menina de uns quatro anos, fez questão de ir ao camarim, e perguntou pra mãe se ela podia levar a bruxa para casa. Não é uma delícia total?.

Começando a produzir Espetáculos Adultos

O primeiro espetáculo adulto que produzi foi Brasileira, dirigido por Alice Viveiros de Castro, com coreografia de Dani Lima, no Shopping da Gávea. Depois veio Chopps Berrantes, dirigido por Alice Viveiro de Castro, autoria de Fátima Valença. Estreamos no Cacilda Becker, que eu transformei num cabaré, com mesas emprestadas da Brahma.

Nessa época fiquei com três peças em cartaz, no Cacilda Becker. De quinta a domingo, à noite Chops Berrantes.  A Fada nos fins de semana e às terças e quartas, montei um outro espetáculo chamado De Noel à Chico – A Nata da Malandragem, com figurinos e direção do Claudio Tovar e direção musical do  Chiquinho Moura , sobrinho do Paulo Moura. Deoclides Gouvêa cantava, e eu e Bia Sion éramos backings mais participativas, digamos assim.

Também produzi um show chamado Afro-Brasilis, com músicas de influência negra. Quem cantava era Deoclides Gouvêa; com roteiro e direção de minha autoria. Produzi no CCBB dois espetáculos: Lamartine Babo para Ingles Ver, de Antonio de Bonis; e Éticas, um espetáculo de dança dirigido por Eduardo Wotzik. Produzi também  Todos os Cachorros são Azuis, a partir do livro de Rodrigo Souza Leão, um esquizofrênico que se matou no hospital. O tema da peça era muito pesado. A adaptação foi feita pelo Ramon Mello e pelo Michel Bercovitch, que também assumiu a direção. Teve uma crítica impecável de Barbara Heliodora, onde não tinha uma única palavra desabonadora.

Produzi outros trabalhos para adultos,entre peças e shows, mas isso é para outro site…

Novas perspectivas

Agora estou com trabalhos para a televisão, cinema e celular. Acho que existe uma demanda muito grande de  trabalhos de qualidade para crianças, nesta área. O que se mais vê são crianças de dois anos, já brincando com o celular. O que mais acontece são pais no restaurante, e colocando o celular nas mãos das crianças, para ficarem sossegadas.  E haja histórias!

Quero trabalhar com um conteúdo bacana. Me associei a um grupo de roteiristas e estamos trabalhando tendo essa meta. Eu adoro trabalhar para crianças e um novo capítulo se abre aí. Minha criança não para, está atrás de novidades, sempre! Ela também já tem celular!

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Participação em Espetáculos para Crianças e Jovens

Como Atriz

1977 – Dona Televisão – Uma Fada Bruxa, texto e direção Caú Rezende, Porão do Teatro Opinião.

Como Atriz e Produtora

1978 – O Dragão e a Fada, de Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros, direção Carlos Lyra, Teatro Vannucci. (Shopping da Gávea)
1979 – No País dos Prequetés, texto Ana Maria Machado, direção José Roberto Mendes, Teatro João Caetano Teatro Villa Lobos
1980 – A Loja das Maravilhas Naturais, texto Benjamin Santos, direção Buza Ferraz, Teatro Vannucci
1980 – Flicts, texto Ziraldo e Aderbal Jr, direção José Roberto Mendes, Teatro Princesa Isabel
1982 – A Fada que Tinha Ideias, texto Fernanda Lopes de Almeida, direção Eduardo Tolentino, Teatro SESC Tijuca
1983 – A Fada que Tinha Ideias, texto Fernanda Lopes de Almeida, direção Eduardo Tolentino, Teatro Vannucci
1984/1985 – A Arca de Noé, de Vinícius de Moraes e Toquinho, direção Alice Viveiros de Castro, Teatro dos 4 (Shopping da Gávea), Teatro Cacilda Becker

Como Produtor

1980 – Passa Passa Tempo, texto Caíque Botkay e Lúcia Coelho, direção Lúcia Coelho, Teatro Gláucio Gill
1981 –  O Bloco da Palhoça em Canto de Trabalho, de Bia Bedran, direção Maria de Lourdes Martini, Teatro Villa Lobos

2000/2010 – Fundou e dirigiu o Espaço Zilka Sallaberry, com diversos cursos ligados à Artes Cênicas para crianças e adultos, assim como cursos de Culinária Natural em uma cozinha feita especialmente para isso. (Todos os prêmios que Zilka Sallaberry recebeu ao longo da carreira encontram-se expostos na produtora)

Participação em Espetáculos Adultos

Como Atriz

1977 – A Morte de Danton, texto xxx, direção Aderbal Jr. (Freire-Filho) Estação do Metrô da Gloria
1977 – Somos as tais Frenéticas – Leiloca – Teatro Tablado
1979 – Cristina Buarque de Hollanda – show, fez backing vocal, sala Sidney Muller – FUNARTE
1982 – De Noel à Chico – A Nata da Malandragem, show, roteiro Elvira Rocha, backing vocal, direção Claudio Tovar, Teatro Cacilda Becker
1994 – Falabella solta os Bichos, direção de Flavio Marinho, Teatro dos 4, Shopping da Gávea

Como Produtor

1982 – Chopps Berrantes, texto Fátima Valença, direção Alice Viveiro de Castro, Teatro Cacilda Becker
1982 – De Noel à Chico – A Nata da Malandragem, show, direção Claudio Tovar, Teatro Cacilda Becker
1993 – Lamartine II – O Retorno, texto e direção Antonio de Bonis, CCBB Rio
2000 – Brasileira, texto Elisa Pompeu, direção Alice Viveiros de Castro, Teatro das Artes (Shopping da Gávea)
2005 – Éticas, dança, direção Maria Alice Pope e  Eduardo Wotzik, CCBB Rio
2011 – Todos os Cachorros são Azuis, do livro de Rodrigo Souza Leão, adaptação Ramon Mello e Michel Bercovitch, direção Michel Bercovitch, Teatro Maria Clara Machado (Planetário da Gávea)
2012/2013 – “201”, de Dulce Penna, direção Dulce Penna, Sala Paraíso – Teatro Carlos Gomes
2013 – A Bossa é Nossa – show de bossa nova, roteiro Elvira Rocha, direção musical de Paulo Machado –  Carioca da Gema – Lapa

Como Diretor

1987 – Afro-Brasilis, show, também roteiro, Teatro COPAN – São Paulo, e várias cidades do interior do Estado

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Realizada no escritório da entrevistada, Rio de Janeiro, em 16.09.2016.